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Agustina Bessa-Luís
(no espectáculo "Algumas Canções do Meu Caminho" em 1992)
Amália Rodrigues
Em 1966 convidaram-me para fazer parte do júri do Festival da Canção do Rio de Janeiro e para escolher o cantor que devia representar Portugal. Escolhi a Simone de Oliveira. Houve muita gente descontente, mas foi o meu critério que prevaleceu. A Simone tinha uma voz bonita, tinha toda a sua força. Ainda não lhe tinha acontecido aquele problema das cordas vocais, porque hoje a Simone é uma actriz da canção.
(in Santos, Vítor Pavão dos. 2005. Amália - Uma Biografia. Lisboa: Editorial Presença, p. 82)
David Mourão-Ferreira
Na voz de Simone as palavras reencontram a vibração e o volume, o contorno ou a sombra, o desgarre ou a frescura, que sempre sonha dar-lhes quem ao papel as arremessa. E no papel é como se hibernassem, mais ou menos longamente, até que a voz de Simone lhes restitua esse fulgor de Verão, essa nudez de noite, esse gume de fogo, esses gomos de aurora, esse rito de grito, esse abismo de prece de que só ela tem o segredo. Ou de que já as palavras tinham, em segredo, a vocação e o destino: a vocação de estarem vivas, o destino de terem voz. O mesmo é que dizer: de serem vós, de serem nós.
(na contra-capa do LP Antologia da Música Popular Portuguesa: Simone, 1981)