Ao Vivo no Hotel Altis (Alvorada, 1981)

Lado A: 1 - Sete Letras (Nuno Nazareth Fernandes - Ary dos Santos - César de Oliveira) / 2 - De Degrau em Degrau (Nóbrega e Sousa - Jerónimo Bragança) / 3 - No Teu Poema (José Luís Tinoco) / 4 - Um Jeito Estúpido de Amar (Milton Carlos - Isolda) / 5 - Pedaço de Mim (Chico Buarque de Holanda)

Lado B: 6 - Poema 8 (José Luís Tinoco - César de Oliveira) / 7 - Não Me Vais Deixar (Jacques Brel - Versão: David Mourão Ferreira) / 8 - O Que Tinha de Ser (António Carlos Jobim - Vinicius de Moraes) / 9 - Visita de Camarim (Nuno Nazareth Fernandes - Varela Silva) / 10 - A Noite e a Rosa (Jorge Barradas - Vasco de Lima Couto)

Piano: Jorge Machado

Som: Moreno Pinto e Artur Barral 

Produção: Carlos Lacerda

Foto: J. Marques

Colaboração da Direcção Geral de Turismo

Fabricado e distribuído em Portugal por Rádio Triunfo, Lda.

Esta Palavra Simone...

"Seis letras que tornam responsável quem escreva um poema, quem o queira musicar.

SIMONE. São já seis letras de um poema. ELA!

SIMONE é uma cantora perfeita. Por toda uma sensibilidade, pela versatilidade, pela forma correcta e sensível de interpretar; por toda uma personalidade decidida.

SIMONE AO VIVO? Mas ela é sempre ao vivo, mesmo que não seja só a voz!

Em vinte anos de carreira, sofrendo revezes, ela continuou, com o respeito enorme por si mesma e pelo público: e deu-nos a maravilha que é a sua dicção. E deu-nos toda uma entoação própria a cada palavra, que na sua voz toma inflexões vivas, como se chorasse, como se cantasse o riso e a dor. Cada palavra doi, e no entanto vive a cantar.

SIMONE.

E não há "palavras gastas", porque todas tomam a sua forma, a sua magnificência, e todas são dádivas que o público agradece - as suas.

SIMONE é uma trágica. E no entanto, como sorri!... Como seus olhos vivem no sorriso e toda ela canta, se move e nos diz algo que se encontra na vida e no mundo.

JORGE MACHADO foi o companheiro imprescindível, humaníssimo, vivo!

Este "SIMONE AO VIVO" é de todos nós portugueses para o mundo. Não é dos que viram e viveram aqueles instantes, que breves nos pareceram; mas do grande público. de todas as latitudes. SIMONE viveu, e a vida nela escreveu todo um poema que ressalta, a cada frase, a cada canção. 

SIMONE escolheu os autores. E deu-lhes VIDA!

E como na versão do "Ne me quite pas" do inesquecível e sempre VIVO Brel, que ela canta, tão verdadeiramente portuguesa - "Não me vais deixar" - ficamos a ouvi-la, trágica, amorosa, simplesmente VIVA!

O talento, a emoção, a experiência duma profissional exigente em busca de novos horizontes. O gosto de um mergulho fundo numa outra aventura. Na mais intensa alegria, agitada, nervosa, mas ela mesma - Simone!

Carlos de Castro"